Vacina da febre amarela pode proteger contra a zika, indica estudo brasileiro

Postado em 29/03/2019



Conduzida por 16 pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Oswaldo Cruz, uma pesquisa desenvolvida nos últimos dois anos concluiu que a vacina da febre amarela, amplamente disponível, testada e adotada mundialmente, pode servir contra o vírus da zika.

O estudo foi coordenado pelo médico Jerson Lima Silva, por Andrea Cheble Oliveira e por Andre Gomes, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia Estrutural e Bioimagem, e pelo professor Herbert Guedes, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ.

A equipe observou que as estruturas biológicas dos vírus da zika e da febre amarela são semelhantes, porque ambos são transmitidos por vírus da família Flavivírus. O médico Jerson Lima Silva contou que a região brasileira com maior incidência de zika, o Nordeste, também é a que tinha a menor cobertura vacinal para febre amarela de todas as regiões, o que fez a equipe levantar e testar a hipótese.

Os pesquisadores realizaram os testes em dois grupos de camundongos, o primeiro composto por animais saudáveis e o segundo, por animais com o sistema imune comprometido, mais suscetíveis à propagação do vírus em seu corpo, portanto. Nos dois grupos, parte dos animais foi imunizada com a vacina de febre amarela e outra recebeu apenas uma solução salina, sem nenhum efeito imunológico. Depois, todos receberam injeções intracerebrais do vírus da zika, de modo a simular infecções com alto índice de letalidade. "Sem a vacina, os mais suscetíveis morreram e os normais desenvolveram sintomas da doença. Já entre os vacinados, os suscetíveis não morreram e todos apresentaram carga viral extremamente reduzida no cérebro", explica Jerson Silva.
 

Entenda o contexto

Segundo um estudo publicado pela revista Science e liderado por cientistas do Instituto Evandro Chagas, no Pará, e da Universidade de Oxford, no Reino Unido, o vírus da zika chegou ao Brasil em meados de 2013; no entanto, sua presença só foi identificada em abril de 2015.

No período gestacional da mulher, o vírus da zika consegue furar a proteção da placenta e se alastrar pelo cérebro do bebê, impedindo que se forme corretamente. Essa ação ocasionou um surto de nascimento de bebês com microcefalia e malformações neurológicas – conjunto de sintomas designado hoje como síndrome da zika congênita. Além disso, nos adultos, a zika é associada ao surgimento da síndrome de Guillain-Barré, na qual o sistema imunológico ataca os seus próprios nervos.
 

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Fonte: epocanegocios.globo.com